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O que vai acontecer com o relatório apresentado
pelos promotores da PICC - Promotoria de Investigações
Cíveis e Criminais, que indicam o desvio de 200 milhões
de reais da Secretaria de Educação?
 É justificada
a inquietação com a possibilidade de um destino "inglório”
para o trabalho feito pela PICC - Promotoria de
Investigações
Cíveis e Criminais, que após oito meses denunciou
o secretário de Educação, Adauto Bittencourt
, e mais doze pessoas num possível desvio de R$ 200
milhões
dos contratos celebrados com empresas da área de
segurança?
É justificada sim.
O Ministério Público do Estado, desde muito tempo,
é uma extensão do Palácio do Setentrião,
e muito pouco tem sido feito sem o aval do governador.
Afinal de
contas é ele quem escolhe o procurador chefe do MPE, e
enquanto
perdurar essa aberração que é a escolha do
procurador-chefe ser feita pelo governador, vai ser assim.
O escolhido
devendo favor ao governante, e uma instituição
constitucionalmente
destinada à fiscalização do cumprimento da
lei, se omitirá quando as violações acontecerem
dentro do poder.
Dentro da lei, o procurador geral do Ministério Público,
Iaci Pelaes tem quinze dias, a partir da entrega do
relatório
da PICC, para encaminhar o relatório com a denúncia
para a Justiça, ou ampliar as investigações,
ou ainda pedir o arquivamento do relatório. Há uma
visível inquietação sobre os próximos
passos. É do conhecimento de todos as ligações
de amizade existentes entre o procurador geral, com o
governador
Waldez Góes, que pesou, tanto que Iaci foi o segundo mais
votado na eleição do MPE para a lista tríplice,
e foi o escolhido por Waldez.
Na sexta-feira quando os promotores da PICC chegavam ao
prédio
do MPE para entregar o relatório, o secretário de
Educação, Adauto Bezerra, principal suspeito do desvio
do dinheiro, chegava ao Palácio do Setentrião para
acompanhar, junto com o governador, o andamento da reunião
com informações de um celular, direto do MPE, e o
passador de informações não era exatamente
um repórter. É um fato que aponta para todas as
possibilidades.
Se houver uma tentativa de bloqueio, engavetamento, ou
ainda de
atenuação da gravidade das denúncias, não
estará fora do que é imaginado. Mas existe uma vacina
preventiva. Cópias do relatório foram enviadas para
todas as instituições que lidam com os crimes que
envolvem desvio de dinheiro público. Por outro lado, a
presença
da OAB,- que subscreveu ou vai subscrever a denuncia - num
momento
em que o Conselho Federal se lança em apoio à luta
contra a corrupção, fica evidente que haverá
uma forte reação se algo de estranho acontecer. No
geral pode acontecer o rigoroso cumprimento da lei, se
espera, mas
que as preocupações fazem sentido, isso fazem.
Fonte: correaneto.com.br
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